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23 abril, 2016

A máquina de omissão e amnésia social


Sobre a lista da Odebrecht e a operação abafa que provavelmente se seguirá:

"Os meios de comunicação industriais se beneficiam de uma singular depravação das leis democráticas... nossa legislação lhes concede o poder exorbitante de mentir por omissão, censurando e vetando aquelas notícias que não lhes convêm ou possam prejudicar os seus interesses. (...) o verdadeiro problema da imprensa e da televisão não é mais tanto o que elas são capazes de mostrar, mas o que ainda podem apagar, esconder, e que constituiu até aqui o essencial de sua força".
(PAUL VIRILIO, A arte do motor, 1993).

 Não é delírio do Virilio: o golpe midiático-parlamentar de 2016 jamais seria possível sem doses cavalares de omissão e amnésia social.

Bob Klausen (26-03-16)

A tecnologia do golpeachment

A tecnologia do golpeachment é um novo meio de golpe: um golpe suave, golpe branco, golpe parlamentar-midiático, ou golpe hondurenho ou paraguaio. 


Para quem não entendeu ainda a questão da defesa da legalidade democrática: depois da derrubada da presidente Dilma, nestas condições, nenhum governo de esquerda se sustentará na presidência por muito tempo. O caminho aberto pela força hoje irá inaugurar uma nova tecnologia de manutenção do poder oligárquico, o modelo de manobras Cunha, somado ao golpismo midiático tradicional, que dá a cobertura necessária para iludir aquela fração zumbi do eleitorado conservador.

A outra manobra, para breve, se chama parlamentarismo + voto distrital.

Acabou a era dos golpes militares, com tiro, sangue e torturas. A tecnologia agora é mais inteligente, menos traumática e provavelmente mais barata. Tudo dentro da nova "legalidade": interpretação das leis ao arrepio dos fatos e das provas concretas. 

Basta uma interpretação distorcida da lei de responsabilidade fiscal, uma campanha midiática sistemática durante literalmente 24 horas, um congresso e um judiciário conservadores e uma massa de manobra para ocupar as ruas dando aquela falsa noção de hegemonia. Se precisar compre parte do congresso e até institutos de pesquisas. Se bobear obtenha ajuda do Tio Sam. 

GOLPEACHMENT: A DESTRUIÇÃO DO OUTRO

GOLPEACHMENT: A DESTRUIÇÃO DO OUTRO

                                                                                                                                 por Bob Klausen 

Golpeachment concluído! Resumo da ópera: não foi exatamente por crimes de responsabilidade, pedaladas, crise econômica e política, corrupção, incompetência na gestão, ingovernabilidade. Isso tudo são detalhes de um todo.

Antes de mais nada, o golpe foi arquitetado por uma oposição conservadora que trava uma luta de morte contra as forças de esquerda brasileira há mais de um século.

Do antipetismo ao anticomunismo ferrenho das classes médias e da elite, passando pelos 10% do eleitorado abertamente protofascista que apoia Bolsonaro (ou melhor: Bozonagro) e Cunha, o denominador comum aqui é o desreconhecimento do outro, ou a vontade de eliminação de qualquer representação das classes populares da política. Um corte que é estrutural. Pouco importa se o PT cumpre ou não essa função de representação das camadas populares. E fez o que fez por vários motivos, nem todos por covardia ou falta de estratégia. Quem viu de perto a Câmara dos deputados em ação entendeu subitamente o que há muito se sabia: eis o Congresso do Boi, da Bala e da Bíblia, um antro de reaças e corruptos sem nenhuma condição de representar uma nação complexa, diversificada e contraditória.

Em suma, a luta é de morte: o trabalhador pobre no Brasil deve obedecer em silêncio e de preferência se tornar invisível. Deve ser expulso da política seja direta ou indiretamente, por meio de seus representantes, que só agem quando coagidos ou deslegitimados publicamente. Basta lembrar de Reinaldo de Azevedo em seus momentos de sinceridade.












A destruição simbólica é completada pela imaginária. A política, totalmente espetacularizada, deve ser prerrogativa absoluta das elites, das oligarquias modernas e/ou tradicionais. Basta ver o tratamento midiático dado ao plano avassalador que vem aí, a PONTE PARA O RETROCESSO, e mesmo à linda e recatada família Temer, para entender do que se trata: a destruição do outro (e do grande Outro incluso), a instituição de uma espécie de dominação sem contraste. Nas periferias, finalmente, o extermínio dos sem-valor, do homo sacer, se materializa como a realidade nua do estado de exceção.