08 junho, 2005

COMBATES NO IMAGINÁRIO CAPITALISTA

Combates no imaginário capitalista
Linhas de frente para uma nova crítica social consistente


1-

O sistema capitalista vai capengando e entrando em colapso com a explosão do seu fundamento: a forma-do-valor ou forma-de-mercadoria da riqueza produzida socialmente. Ressurge, como nunca, a promessa concreta de superação do trabalho social abstrato, como forma de mediação social fundamental, até aqui dominante. Trabalho é dominação. Mas a naturalização fetichista do valor e o arbítrio político dos Monopólios e do Estado, movidos à crédito especulativo, vão reproduzindo subjetivamente esse sistema objetivamente apodrecido. É preciso mostrar a consistência dessa análise e suas conseqüências.

2-

A luta anti-capitalista está bloqueada subjetivamente: ou seja, entre as condições objetivas desse bloqueio estão, hoje, sobretudo as condições subjetivas. Ela precisa começar a questionar o sujeito burguês, a subjetividade monádica e sua forma de socialização parcelar pelo valor e pelo trabalho. Os novos combates, após o fim do socialismo burocrático de caserna, começam com a desvalorização e destruição do imaginário sócio-cultural capitalista, produzido no chão da fábrica universal e re-produzido em massa na indústria cultural e na indústria acadêmica, na política e na economia política liberal, de onde práxis capitalista retira sua legitimação ideológica. A luta real começa, portanto, no seio do imaginário moldado por este sistema, feito sob medida para esse sujeito mônada-coletivo sentir-se bem ou evitar recusar em bloco seu papel de vendedor miserável de sua vida à maquinaria capitalista.
3-

Esse embate não se dá, também, sem uma profunda crítica da militância-militar da experiência bolchevista e socialista-burocrática, constituída de modo inconsciente pela própria forma de experiência histórica da grande indústria, dos exércitos de trabalho abstrato, impostos pela modernidade capitalista: nela apenas se reproduz, com mais perfeição, aqueles que pensam-comandam e os que fazem-executam tarefas, na mais pura velocidade taylorista-fordista. O vanguardismo de ontem sempre foi a expressão dos métodos industriais mais avançados - também de ontem. Esse tipo irrefletido, avesso à teoria e à crítica, apenas pode conduzir a estratégias centralistas, medularmente ditatoriais, e, na base estupidificada, a práticas imediatistas, desesperadas, salvacionistas, espetaculares, completamente anacrônicas e malogradas, no limite, anti-éticas e violentas. Seu sonho sempre esteve preso ao imaginário do sujeito moderno: reduzir o mundo ao padrão Único de um Espírito Universal Abstrato.
4-
A "militância no imaginário" não é uma militância meramente "imaginária", no mundo das fadas ou da mera perfumaria literária (como pretende o filósofo marxista 'neopragmático´, José A. Giannotti, ao criar o termo). O imaginário social é "real", um fato e um fator, isto é, um gerador de fatos materiais precisos. É um nível concreto, essencial, da práxis social total e das camadas psíquicas da subjetividade humana. É no campo do imaginário e do simbólico que se legitimam e se re-produzem as taras fetichistas da sociedade da mercadoria - meio onde também se poderá fazer sua crítica imanente radical. Daqui se impõe o programa de desvalorizar e alegorizar a linguagem do poder para recuperar o esmagado sob a bota do vencedor, que continua a narrar soberanamente a história (Walter Benjamin), e também o détournement, o desvio de tal imaginário para usos diferentes do original, revelando seu ridículo e sua loucura, como propunham Guy Debord e os situacionistas; e quando possível destruir - todas as imagens, modelos, padrões do modo de vida e de pensamento modernos, tudo aquilo que captura o fluxo da vida no imaginário da sociedade da mercadoria - tal seria o "materialismo iconoclasta" realizado. É nesse campo de disputa que a luta objetiva, hoje praticamente paralisada ou bloqueada, pode encontrar seus pares, criando novos caminhos, novos temas de crítica e práxis, uma nova linguagem e, assim, sendo imaginação criadora, deixar de ser mera "imaginação".
(junho de 2005).

2 comentários:

Antoine Doinel disse...

É o primeiro blog com notas de rodapé que já vi, embora rodapé não seja a palavra mais adequada.

Tá, Cláudio, você não gosta do mundo como ele é. Isto, já sabemos. Mas eu recebi informações de uma fonte segura, dizendo que você foi visto no fim de semana passado, esbaldando-se no McDonald's com amigos banqueiros e executivos da Nike. Você deve ser um soldado do capitalismo, lutando para que ele exploda e, dessa falsa morte, renasça mais intenso do que nunca.

Vou avisar minha irmã.

E prepare-se, porque em breve este blog será forçado a abrigar um link para o site da Revista Paisà, a melhor publicação sobre cinema do hemisfério Sul.

Anônimo disse...

HORRIVEL TEU TEXTO CARA..... FALAR EM BURGUESIA SEM MESMO NENHUMA CONCEPÇÃO DA PRÓRPIA.... DIRÁ SE NÃO FOR VOCÊ MAIS UM DESSES AMEDRONTADOS COM O MOVIMENTO DE MASSAS QUE GERMINA NA AMÉRICA LATINA OU ATÉ MESMO UM ASSASSINO DE SUA PRÓPRIA CLASSE QUE VÊ NA FILANTROPIA UMA SALVAÇÃOI PRA SUA ALMA.... PERCEBE A VITAMINA DE CONTRADIÇÃO QUE ESTÁ EMBEBIDO? tODOS NÓS ESTAMOS. PORÉM NÃO TEMOS ELAS COMO NOSSOS FINS. SÃO MEIOS QUE EXPLORAMOS NA PRÁXIS E NÃO SOMENTE COM ESTES TEXTOS PROLÍXOS.
aBRAÇO DE LUTA RAPAZ. ALIÁS LUTA QUE PODE SER SUA TAMBEM BASTA SE LIBERTAR DE VERDADE. SAIBA QUE É LIVRE POR NATUREZA E TUA LIBERDADE É TUA OBRIGAÇÃO!
JÁ LEU SARTRE?